11 de outubro de 2012

Bisa, mensagem para você.

Era Domingo, 9 de setembro. Eu tinha te deixado no hospital e estava no ônibus a caminho de BH. Escrevia para você à medida que os quilômetros nos separavam, queria me sentir perto, me manter junto de você. Acredito que a poesia tem esse poder.

 Depois fui saber. A medida q os quilômetros me distanciavam de você, você também se distanciava desse nosso mundo...

 E foram exatamente essas as palavras  que meu coração te escreveu naquele dia de despedida, querida Bisa, há um mês atrás:

 Abri um pacote de pipoca doce para começar a falar de você. Acho que as pipocas sentiram o quão difícil seria pra mim e se fizeram mais doces do que normalmente são as pipocas doces.   Eu queria que sua vida fosse como esse pacote de pipocas e nunca vou entender as razões de te ver sofrer.  

Você seu corpo magro, pequenino, inchado.
Você e seu olhar vivo e alerta, perdido.
Você a dona das respostas, gestos e atitudes, quieta.

Bisa minha,
Se eu pudesse tiraria todas as suas dores.
 Se eu pudesse te colocaria no colo.
Porque quando bisavós viram bisavós elas também se transformam em pequenos grandes tesouros, amuletos de sorte.

 Se o caminho da sua vida é tão longo que me permitiu o privilégio de te ter, Quero dizer que tudo o que quero é que ele seja infinito para eu chegar na sua casa de portão claro, sentar no sofá da sala, conversar com você, te ver cochilar, te ver acordar e escolher a toalha de mesa para o Café da tarde. 

Quero te perguntar sobre os segredos da sua beleza, conversar sobre o Nívea e o leite de colônia, rever todos os seus anéis enquanto você sacode a mãozinha dando ordens, e ver os seus sorrisos breves entre cafés, palavras e biscoitos.

Quero continuar vivendo a coleção de momentos que tenho na memória com você. E quero novas histórias, Novas lembranças...

Mas em todas elas quero a sua força e energia dentro de você, vibrante, lúcida, feliz. Porque independente de qualquer coisa da vida, é isso que todo mundo espera de uma bisavó: que ela seja feliz!

13 de julho de 2012

O que seriam dos lugares se não fossem as pessoas?

Mais um ciclo se encaminha para o fim.
Não um fim, do que se finda,
Um fim de reticências.

Algumas vidas devem ser como a minha, imagino.
Nunca marcada por fins,
Mas por começos e mais começos.

Os fins eu faço questão de aquecer,
cuidar, cultivar.
Sustento os fins sem findar
sustentando as pessoas em minha vida.

Agora pensando eu sinto.
Sou feliz mesmo quando estou triste. 
Sou feliz porque o universo sempre me presenteia
com pessoas que fazem de qualquer lugar um lugar para se viver bem.

O que seria daqui se não fossem as pessoas que me fizeram feliz,
me divertiram, surpreenderam, ajudaram, gostaram de mim
assim como eu sou?

Para essas pessoas não existe fim. 
Não existe ciclo.
Não existe adeus.
Existe saudade 
E meu eterno carinho e gratidão.

E de certa eu sei o que fazer.
Já passei por isso antes.
Eu vou levar vocês, todos,
Dentro do meu coração.

7 de maio de 2012

Assim espero

Dizem que tudo passa.
Eu não sei confirmar isso.
Algumas coisas ainda não passaram na minha vida.
E não têm pulso de que vão passar.

Não passou a saudade do meu bisavô,
Nem a saudade do Tio Raimundo.
Para o meu coração eles ainda deveriam estar por aqui.
O Tio Raimundo ainda deveria estar parando os carros na rua
Como um guarda de trânsito fingindo ter até apito
E mandando o meu bisavô atravessar com a sua bengalinha.

Não passou a saudade do carrinho de churros da praça,
Nem do senhorzinho que já sabia que eu queria muito doce de leite.
Assim como não passou a amizade, o carinho e a saudade
Da maioria das pessoas com quem me importo
E que estão longe.
Parece que não passou a recíproca do que elas sentem por mim.
Também.

Além disso,
Não passou a sensação embaraçosa da primeira flor que você me deu
Nem a lembrança do seu cheiro e beleza.
Não passou meu amor por você.
Parece que não passou o amor que você sente por mim...
Mesmo que alguns anos tenham se passado.

Mas muitas outras coisas passaram.
Foram levadas do presente.
Reduzidas a cicatrizes,
Que mesmo profundas,
Já foram bem curadas.
Ainda bem.

E eu sei que algumas outras coisas ainda vão passar.
Para mim e para você.
São daquelas que têm mais valor quando passam.
Que por serem pesadas, duras e tristes
Só depois que se vão nos permitem entender  
Que a forma como elas pareciam estar desarrumando tudo
Era só um jeito torto, disfarçado e complicado
De indiretamente arrumar o jardim das nossas vidas.

ASSIM ESPERO.

26 de abril de 2012

(não soneto) Da Felicidade

Se felicidade tivesse gosto
Acho que seria de sorvete.
Cada hora um sabor,
mas sempre sorvete.

Se tivesse cheiro
Acho que eu nunca seria capaz de definir.
O cheiro do pó de arroz da vovó
Da pipoca da praça
Do meu velho perfume de baunilha
Ou de alecrim.

Agora se felicidade tivesse música.
Ah, seriam muitas.
Todas aquelas que me lembram o que já foi
com alívio ou saudades (mais saudade)
e aquelas que me inspiram para o que virá.

Se eu pudesse te prender dentro de mim,
Felicidade,
talvez você não fosse feliz.
Então eu preciso te abraçar forte,
quando você vem.
E ser capaz de te deixar livre
para ir e voltar quando quiser.

Ah. Felicidade.
Se eu pudesse escolher seu rosto
seria o meu.
Uma forma de te ver todos os dias,
em frente ao espelho.
E de garantir que iria sempre me encontrar. 

11 de março de 2012

a vida é muito maior que um capítulo ruim

não é sabido o tamanho do livro de cada vida
não se pode ver onde estarão os erros
as surpresas tristes
os tropeços.

Mas se um dia faltar o chão,
se bater medo,
se você deixar de acreditar,
e se parecer que tudo isso vai durar para sempre,

lembre-se que é um pouco para isso
que existem as manhãs de sol
que um abraço tem tanto poder

lembre-se do olhar dele
do sorriso doce dela
de onde você começou
e onde já chegou

não tenha vergonha de cair
chorar
temer.
É um pouco para isso
que existem os sonhos
e a esperança.

É um pouco para esses momentos,
esses que um dia vêm,
que existem os amores,
os amigos,
as comédias românticas,
as músicas e poemas.

É para que possamos fechar os olhos
respirar bem fundo
olhar para o céu
ou para dentro dos olhos de alguém
e acreditar que a vida é muito maior
que um capítulo ruim
(por mais longo que ele pareça ser).

8 de fevereiro de 2012

Para fazer primavera

Hoje acordei com uma música do meu avô, Pedro, meu poeta e músico predileto.

Para fazer primavera

"Deixa a porta sempre aberta
para os nossos sonhos risonhos.
Feche a porta, vá depressa,
são meus pensamentos tristonhos,
enfadonhos

Deixa a luz do sol entrar pela vidraça
é de graça
Deixa o seu calor queimar o que é feio
sem receio
Deixa a sua cor tingir seu devaneio,
pois por meio quimérico
até a dor pode ser multicor.

Faça cômica a desgraça,
tem caminho curto, pois passa.
Veja a sorte com bravata,
pois tudo que ata, desata.
Na fumaça, jogo o falso, até o nome
Pois ela sobe, sobe e some
Pois ela sobe, sobe e some."

*Imagem da janela retirada do blog infinito particular

23 de janeiro de 2012

É isso o que falta


Aprender
a não saber
a não esperar nada
a não olhar pra trás
a não ser capaz de tudo
e a não entender quase nada

Ouvir
ao coração
ao silêncio de dentro
ao sopro do inexplicável
ao que não se quer ouvir
aos sonhos que gritam de longe

Dizer
sim
a verdade
canções, versos e prosa
todas as coisas boas que se quer
tudo que pode confortar e fazer feliz

Fazer
arte
amor
música
o que se quer
sem agredir a si ou aos outros

Seguir
sorrindo
a cada dia
de mãos dadas
sempre em frente
sem baixar a cabeça

Amar
a vida
o amor
a si mesmo
pra sempre