
É Natal.
Não sei se certo ou não, mas esse é um momento em que reflito mais sobre a vida que o normal.
Neste natal tenho refletido mais. Por muitas razões. E tenho pensado em como a vida é cheia de surpresas, boas e tristes. Em como não sabemos realmente nada do que nos espera no dia seguinte ou no minuto seguinte do agora.
O Natal às vezes me dá um certo nó na garganta, mas sei que não é culpa dele. A culpa da nossa necessidade de humana de ter a ilusão de que controla as coisas, os planos, a vida.
A cada dia percebo de forma mais forte e evidente que não estamos no controle. E a cada dia tento educar a minha ansiedade para aceitar a falta de controle e ser capaz de ser feliz com as coisas mais simples, como acordar ao lado de quem eu amo mais um dia, poder estar junto, dividir os sentimentos (felizes, tristes, nervosos, assustados...), poder abraça-lo e beija-lo e sentir o amor que sente por mim.
É Natal. E talvez há alguns dias atrás eu teria muitas coisas para pedir. Hoje, aqui pensando, vendo o André dormir no sofá ao meu lado eu só quero pedir que noites como essas se repitam pelo resto da minha vida.
Posso continuar com os nós na garganta, com os medos e inseguranças, com as insatisfações, mas quero ver as pessoas que amo felizes, acreditando que apesar das desilusõs e de não sabermos nada de nada, temos uns aos outros e isso, só isso, já faz a vida valer a pena.
Sim. Muitas vezes me sinto uma marionete do destino. Como se estivesse tudo já escrito e eu estivesse atuando em um papel. Mas mesmo se for assim preciso ser grata ao escritor dessa minha história, ele foi muito generoso comigo ao escolher quem contracenaria comigo!
Não vou brindar o Natal, porque é um dia e nem para todo mundo. Vou brindar o amor, que é o que faz o filme da minha vida rodar, todo dia. E eu amo muito, muito. E acredito que tudo vai ficar bem.

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