7 de julho de 2010

Capítulos da vida que começam, aparentemente, antes que outro termine


Estou eu aqui mais uma vez pensando na vida, se é que algum dia deixo de pensar...
E estou em uma nova situação, um novo tudo. Cidade, realidade, pessoas, função, casa/hotel, caminhos, temperatura, umidade, talvez pressão (em todos os sentidos – e sem saber dizer se é melhor ou pior agora – mas de fato é uma em que não estou acostumada). Ainda bem que o marido é o mesmo...

Não estou triste, não se pode chamar de tristeza, mas estar em uma situação nova é no mínimo estranho. Me sinto um personagem da minha própria vida. Como foi tudo muito depressa e de um dia para o outro me vi aqui, é como se não tivesse tido tempo de finalizar direito uma parte da minha vida para começar a outra. A parte nova atropelou a antiga, que eu nem queria que tivesse terminado. E eu ainda me sinto como pertencente ao outro mundo de mim mesma, que pra mim, inconscientemente, é o único que existe.

Aqui é como se estivesse de férias, em treinamento de qualquer coisa, ou faltando ao trabalho. É como se tudo que está lá estivesse congelado a minha espera e eu estivesse aqui de certa forma incomodada esperando a hora de voltar. Aqui, na nova realidade eu não vivo, eu atuo, não sou eu como eu sou, sou estranha, sou diferente de mim, não me comporto como me comporto normalmente, não entendo as coisas, não conheço os caminhos, não sei onde encontrar da farmácia ao restaurante, não tenho vontade de comer doce, acho os brigadeiros gigantescos, não sei o que fazer quando toca o telefone do trabalho e alguém precisa da minha ajuda... porque sou eu quem preciso de ajuda. :-) Poucas vezes na vida não soube o que fazer... tudo é tão diferente de mim... ou eu que sou diferente?

Fico esperando essa tal hora de voltar ou espero o dia seguinte para acordar e ver que foi tudo um sonho. Mas acordei aqui desde o dia 03 e me parece que não é sonho não... Então não tem hora pra voltar. E quando chegar um dia essa tal hora as coisas serão tão diferentes de hoje, eu serei tão diferente... Mas quando será que chega a hora de eu me sentir da fato em casa aqui, onde agora estou tão deslocada e me sinto tão visitante.


É como se eu tivesse sido inserida na realidade de outras pessoas, caído de pára quedas na vida delas e elas ainda tivessem que me ajudar, me guiar, ter paciência com a minha ignorância sobre nomes, siglas, endereços, códigos, sistemas, ruas e sotaques que às vezes nem entendo.
Aqui consigo ver como São Paulo me mudou. Como em quatro anos e meio minhas expectativas sobre a vida, que já eram grande, cresceram. Como mudou a minha forma de ver o mundo, meu nível de exigência sobre as coisas, as pessoas e principalmente sobre mim mesma. Consigo ver como sou ansiosa para que as coisas aconteçam e como tenho pressa. Pressa acredito ser uma característica dos paulistanos e ela está em mim. Talvez sempre tenha estado e lá desabrochou, mas está em mim hoje, isso é fato. Vejo também como estou mais pronta para qualquer coisa que vier do que imagino. Como dou conta de mim, inclusive psicologicamente. Como sou forte e corajosa quando preciso e até me orgulho um pouquinho.

Talvez eu não esteja fazendo o menor sentido. Mas dentro de mim está assim. De certa forma esse amontoado de sentimentos de quem olha o mundo em que está como se estivesse de fora, porque não me reconhece como dali. É como se as coisas acontecessem em câmera lenta e fosse tudo um filme que se passa na minha frente, sem controle. Não posso parar o tempo para respirar e tentar entender. Não posso pausar o filme para pensar melhor sobre tudo e fazer escolhas. Não posso voltar atrás. Preciso deixar acontecer e seguir em frente um dia após o outro. E ainda não posso sofrer. Porque essas foram minhas escolhas e preciso ser feliz com elas, mesmo que não seja capaz de entendê-las.

Parece que alguma coisa está errada. Ou estou no lugar errado. Mas como dizem que você nunca está no lugar errado, talvez errado seja mesmo o sentimento que eu sinto, o vazio que está dentro de mim e que mais hora menos hora terá que ser preenchido, terá que passar. E mais uma vez, isso é uma coisa que só eu consigo fazer por mim mesma. Como quase tudo na vida.

4 comentários:

dona perfeitinha disse...

Oi, Taiz,
Conheço alguns dos seus sentimentos tão bem descritos em seu belo texto. Minha visão é diferente, mas a essência, com toda certeza é a mesma.
Sempre que nos acostumamos com algo bom, conhecemos algo melhor e adotamos para nosso estilo de vida, rotina, etc, ficamos sim exigentes e carentes quando algum vazio se faz presente. No meu caso que não estou ainda exatamente onde quero com minha família, aproveito para explorar aprendizados, atividades e projetos para os quais não teria tanto tempo se no nosso destino já tivéssemos chegado, entende? Aí os dias ao invés de exagerar no vazio são preenchidos com possibilidades presentes para um futuro tal qual nossa exigência grita dentro da gente.
Beijos,
Talita.

7 horas e 7 minutos... disse...

Oi Tá!! Saudade!! A sua visão é linda e muito certa! A mais inteligente para sermos felizes apesar das mudanças que não dependem da gente! Preciso pratica-la também! Me mudei de São Paulo na semana passada e estou agora morando em Goiania. Fui transferida pelo banco o que é bom, mas uma função bem diferente da minha... ainda tenho muito que me acostumar!
Mas vai dar tudo certo...
escrever é importante para colocar as dores pra fora, das coisas que as vezes a gente evita até pensar porque são tristes e fortes... não gosto de evitar essas coisas, coloco pra fora...
Bjo grande

Alexandra disse...

Amiga...você é a prova de que somos capazes de encarar a vida de cabeça erguida e ser feliz! Fico sem palavras e me sinto um grão de areia perto de um coração que não tem tamanho! Sou eternamente grata por fazer parte da sua vida e você da minha. Te amo amiga e sinto sua falta! Beijokas

Ramon disse...

O blog é dimais! haha' me identifiquei nesse post:"Parece que alguma coisa está errada. Ou estou no lugar errado."
bjs, sucessos ;D