30 de agosto de 2011

As geléias que eu não abri.



Rubem Alves uma vez disse que mineiro faz poesia até com bagaço de laranja. Foi algo assim. Eu sou mineira, pode ser coincidência, mas hoja acordei fazendo poesia até com geléia.


Na verdade, estava com uma enorme vontade de comer a nova geléia de Blueberry que compramos na última ida ao mercado, mas nada no mundo me fazia abrir a geléia.


Pano de prato, faca, colher, apoio, toalha... e ela voltou para a geladeira.


Eu fiquei pensando: quantas são as geléias que a gente quer muito, mas desiste assim tão fácil?


Tudo parece tão difícil antes da gente conseguir, mas depois parece tão estranho como a gente achou difícil... quanto mais de esforço é necessário para abrir todas as geléias?


Quantas será que são as geléias que eu não abri?

28 de agosto de 2011

Eu quero estar aqui.

Eu não quero viver de lembranças.
Percebi o óbvio. Aquele que muitas vezes não se percebe: Não é possível estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Acho que é por isso que Nietzsche disse "em cada chegada eu sou uma partida". Porque quando se chega em um lugar tem que se ter deixado o outro. Coração, sonhos, cotidiano. Não é possível deixar os sonhos, o coração, a inspiração em um lugar e ser feliz em outro.

Quando se está pela metade, não se está de fato em lugar nenhum.

Eu tive a ilusão que poderia ir levando. Que as coisas se acertariam com o tempo, mas isso não é verdade para muitas coisas. Não é verdade para o amor, para o sentimento de sucesso, para se aproximar e se envolver com as pessoas.

Eu tenho vivido em lugar nenhum. E isso não é certo, não é justo com os que amo, não vale a pena.

Eu quero ter as lembranças, olhar para elas, sorrir ao pensar nelas, rir delas. Mas também quero criar um presente do qual vou me lembrar com a mesma intensidade, com novos sorrisos, com novas histórias. Eu quero estar aqui.

Vou precisar repetir para acreditar. Eu quero estar aqui. Eu quero ser feliz aqui, aceitar as diferenças, abraçá-las para ser abraçada por tudo. É. Eu quero estar aqui e não vou mais viver pela metade mantendo a minha outra metada congelada em um passado que não pode ser presente.

16 de agosto de 2011

Recomeça

"Não te deixes destruir...

Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina

5 de agosto de 2011

Você não vai entender


"Eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer (...)

Eu não sei o que
Isso quer dizer (...)

Eu não sei por que
Eu teimo em dizer
Se eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer
(...)

Mas o que quer que eu diga
Você não vai entender ..."

Mudar não é para qualquer um

A mudança começa por dentro.
É como uma semente
que cresce lentamente
Tão lentamente quanto se passam os anos.

Mas uma vez que passou,
Ou uma vez que algo em nós mudou,
Parece que foi ontem.

Mudar demora tanto quanto crescer
E pode levar uma vida inteira
Inclusive sem acontecer.

Desconfortável
Quente ou frio demais
Muito escuro ou iluminado
Mudar incomoda

Só vai servir para os destemidos
Os verdadeiramente interessados
Os que querem descobrir as suas partes
E podem suportar as descobertas
As mais obscuras e mal entendidas de dentro

Mudar não é para qualquer um
Mas eu espero que seja pra você.

4 de agosto de 2011

To be yourself



Para ser feliz tem que se sujar... de vida


A gente passa a vida inteira tentando passar ileso.
Mas passar ileso é passar em branco.
E se você for pensar
Você não quer passar em branco.

Quem quer ser feliz tem que se jogar
Tem que colocar a mão na massa
Tem que se arriscar.

Quem quer deixar marcas
Tem que se permitir marcar
Vai ter que se sujar de vida
Vai ter que mergulhar fundo em águas turvas
Buscar longe em estrada de terra
Se ferir

Ser feliz não é tarefa fácil
Mas há de ser mais fácil que ver a vida passar
Como passaram as marchinhas de carnaval
Como passou o dia de ontem
Como você e eu temos passado as nossas vidas

Vai. Abre os seus braços para o desconhecido e vive
Não se esqueça de que aqueles que não vão também vivem o que não sabem
Mas como eles não sabem que não sabem
Se confortam em entrar nos vagões aparentemente previsíveis do trem da vida
Se conformam com o que "tem que ser"
E se fazem esquecer que "o que tem que ser" poderia ser incrível.