23 de janeiro de 2012

É isso o que falta


Aprender
a não saber
a não esperar nada
a não olhar pra trás
a não ser capaz de tudo
e a não entender quase nada

Ouvir
ao coração
ao silêncio de dentro
ao sopro do inexplicável
ao que não se quer ouvir
aos sonhos que gritam de longe

Dizer
sim
a verdade
canções, versos e prosa
todas as coisas boas que se quer
tudo que pode confortar e fazer feliz

Fazer
arte
amor
música
o que se quer
sem agredir a si ou aos outros

Seguir
sorrindo
a cada dia
de mãos dadas
sempre em frente
sem baixar a cabeça

Amar
a vida
o amor
a si mesmo
pra sempre

15 de janeiro de 2012

Para quem o ano não é novo coisa nenhuma, ainda

Talvez ainda não seja tarde para falar de um ano novo.

Na verdade, existe esta contagem, este movimeno coletivo e massificado. O desespero de deixar para trás o que deve ficar para trás e uma celebração do recomeço, do tentar de novo, de se refazer, inovar, mudar, enfim, tudo ao mesmo tempo. Você conhece tão bem quanto eu e tudo se passa enquanto a multidão acalorada conta junto o 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 e Feliz Ano Novo!

E por um instante parece mesmo que quando o relógio virar você vai ser capaz de ser muito diferente do que era no segundo passado. Porque o segundo passado parece que está mais longe já que está em um ano diferente. Mas nada é diferente. Nem você, nem eu. Ninguém é diferente no novo segundo.

O que fico pensando para aliviar essa dislexia de "ano novo" é que um ano novo pode começar em qualquer dia. A sua contagem particular do tempo, o seu recomeço, a sua força em deixar o passado para trás, tudo pode começar fora do ritmo exaustivo do relógio, fora da superficialidade da multidão bebâda e eloquente, pode começar quando dentro de você estiver na hora. Agora, ontem ou até todo dia.

E é por isso que eu queria desejar a mim mesma e a todos que lerem a essa mensagem vários "anos novos" em 2012. Muitas superações, recomeços, sonhos e esperanças. Que a gente seja capaz de se refazer infinitas vezes em busca da nossa configuração mais feliz, com coragem de amar, inclusive a nós mesmos.