7 de maio de 2012

Assim espero

Dizem que tudo passa.
Eu não sei confirmar isso.
Algumas coisas ainda não passaram na minha vida.
E não têm pulso de que vão passar.

Não passou a saudade do meu bisavô,
Nem a saudade do Tio Raimundo.
Para o meu coração eles ainda deveriam estar por aqui.
O Tio Raimundo ainda deveria estar parando os carros na rua
Como um guarda de trânsito fingindo ter até apito
E mandando o meu bisavô atravessar com a sua bengalinha.

Não passou a saudade do carrinho de churros da praça,
Nem do senhorzinho que já sabia que eu queria muito doce de leite.
Assim como não passou a amizade, o carinho e a saudade
Da maioria das pessoas com quem me importo
E que estão longe.
Parece que não passou a recíproca do que elas sentem por mim.
Também.

Além disso,
Não passou a sensação embaraçosa da primeira flor que você me deu
Nem a lembrança do seu cheiro e beleza.
Não passou meu amor por você.
Parece que não passou o amor que você sente por mim...
Mesmo que alguns anos tenham se passado.

Mas muitas outras coisas passaram.
Foram levadas do presente.
Reduzidas a cicatrizes,
Que mesmo profundas,
Já foram bem curadas.
Ainda bem.

E eu sei que algumas outras coisas ainda vão passar.
Para mim e para você.
São daquelas que têm mais valor quando passam.
Que por serem pesadas, duras e tristes
Só depois que se vão nos permitem entender  
Que a forma como elas pareciam estar desarrumando tudo
Era só um jeito torto, disfarçado e complicado
De indiretamente arrumar o jardim das nossas vidas.

ASSIM ESPERO.

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